HYDROMAN
Por Antonio Luiz Ribeiro*
Hydroman
foi o primeiro super-herói brasileiro a ter
nome em inglês. Essa prática de “americanizar”
nomes de heróis é um recurso muito utilizado
por nossos editores. A idéia é chamar
atenção do leitor tupiniquim, avesso
a personagens patrícios. Esse leitor vê,
desavisado, a capa da revista nas bancas e, pensando
tratar-se de um novo herói americano, compra
o gibi, meio às pressas, só percebendo
que foi “iludido” depois. Mas aí
já é tarde demais.
A
idéia de lançar HYDROMAN surgiu nos
anos 60, quando o quadrinista Momoki Akimoto propôs
ao colega Gedeone Malagola fazer um personagem tipo
The Sub-Mariner (mais conhecido entre nós como
Namor). Apesar de estar sobrecarregado de trabalho,
Gedeone aceitou o convite, pois a nova HQ seria feita
por duas pessoas e, portanto, não cansaria
tanto. Akimoto sugeriu que o personagem se chamasse
HYDROMAN. Ambos não sabiam que já existia
um super-herói com esse nome, nos States. Era
uma criação dos anos 40, de Bill Everett.
Apesar
de ter sido um herói promissor, HYDROMAN só
teve três aventuras, com lápis de Akimoto
e arte-final de Gedeone.
Na primeira aventura, os leitores ficavam sabendo
que o protagonista operava de uma base, a lendária
e submersa cidade de Atlântida. Sua principal
arma era uma pistola de gelo que, ao ser disparada,
congelava instantaneamente seus adversários.
Quando não usava seu revólver, o herói
se valia dos punhos para derrotar os inimigos.
Apesar
da arte bem feita, a série carecia de um bom
roteiro. Na primeira aventura, por exemplo, o herói
não dizia a que vinha. Faltava um aprofundamento
psicológico no herói, se bem que, naquela
época, vale lembrar, os gibis de super-heróis
não tinham a preocupação com
roteiros inteligentes. O que contava mesmo era a aventura
pura e simples, com o mocinho se preocupando apenas
em derrotar o bandido. Somente a partir de 1967, com
os heróis Marvel, de Jack Kirby, é que
a moda dos heróis problemáticos pegou
no Brasil.
Voltando
ao nosso herói. Pelo que se sabe, HYDROMAN
e raio Negro foram os primeiros super-heróis
brasileiros a participarem de um encontro (hoje, “cross-over”).
Foi quando os dois se uniram na HQ “Invasão
das Estrelas”, que muitos elogiaram.
Após
o cancelamento de nosso homem do fundo do mar, a GEP
(Gráfica Editora Penteado) tentou, em 1969,
outro personagem submarino. Era Fantar, de Edmundo
Rodrigues e Milton Mattos, sobre um anti-herói
tipo Namor que queria destruir não só
os habitantes da superfície como também
os moradores das profundezas marítimas. Também
não deu certo.
No
início dos anos 80, a Grafipar de Curitiba
planejou trazer HYDROMAN de volta, mas infelizmente
o projeto não deu certo (só foram reprisadas
três aventuras) e hoje o personagem só
vive na lembrança dos leitores mais nostálgicos,
infelizmente.
*
originalmente
publicado no fanzine ZONA TOTAL nº 7, de fevereiro/1999